segunda-feira, 9 de abril de 2012

Inquietude.


Aquele breve, ou não tão breve momento de inquietude.
Eu aprendi a ser a vida de alguém e fazer o outro ser a minha vida, e com isso me tornei parte do que não vive em mim, e sim no outro. Aprendi e aprendo até hoje a cuidar de todos os detalhes que existem na minha vida, que não sou mais eu, a regar todos os dias as flores de um jardim que não respira meu ar, com isso aprendi que é essencial ouvir e saber o que dizer quando as coisas não vão bem porque acalma e conforta a alma de quem não anda nos melhores sorrisos.
Hoje, eu coloco em prática, ouço e digo, vejo e brigo, quero e tento conseguir a todo custo, mas esse custo tá me dando trabalho dessa vez, não imaginei que seria assim.
Hoje, eu cuido e dou carinho, rego todas as plantas do jardim e tento ao meu máximo deixa-las floridas, coloridas e vivas... Eu tento te dizer todas as noites que isso tá prestes a acabar, talvez não adiante muito como percebemos na noite de hoje, todas as palavras já se repetiram ontem e hoje, hoje elas não tem mais força nem efeito. Desculpe-me as rosas, aos cuidados desleixados e aos sorrisos perdidos, mas acho que me perdi nesse vendaval de águas, e junto com as suas lágrimas se foram todas as minhas palavras, hoje só tenho meu ouvido e flores sem cores a te oferecer.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Não existe nada mais doloroso do que ver a dor no coração do amor e não poder toma-la pra si pra salvar quem a sente.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Véspera da véspera de natal. Hoje era dia de chegar em casa com o porta-malas carregado de sacolas, me chamar pra ajudar a carregar porque sempre foi assim, deixar todas as compras no meio da cozinha e ouvir a vó reclamando que comprou coisa demais, e mais tarde, lá vinha a leitoa de praxe. Mesmo que depois do natal, metade dela ainda ficasse intacta, a leitoa de tradição jamais faltara a mesa. E hoje, não chegou nenhum carro carregado, nem compras demais, nem vó reclamando. Pelo segundo ano a gente segue sem você, se natal já não era muito bom, agora então... Falta você, no grande natal em família, que sempre acabava em alguma confusão, faltam suas risadas, as mesmas piadas, falta você vô, falta você.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Carta 03

Já parou pra pensar no quanto as pessoas pensam? No lugar que estou agora, o tanto de pessoas que devem estar pensando em coisas completamente distintas... E no tanto de vidas que existem além das nossas, gente procurando vaga pra estacionar seus carros, gente esperando por outras, outros comendo, bebendo, comendo e bebendo, somente passando o tempo, engolindo a comida por estar atrasado, pensando em como resolver tal assunto, nos filhos, no relacionamento, nos afazeres, nos outros, na demora, em sexo, no clima frio, no fim do ano, na mãe, nas compras, no banco, prestando atenção no que a outra fala, em alguma história, em como conquista-la, em como conquista-lo, na novela, no noticiário, no cabelo, no cigarro, na música, em sonhos, em nada... São bilhões de pensamentos em um só lugar.

23.11.11

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Geleia

Assim como o gelo no fogo, o quente na brisa e a lágrima que cai, os sonhos, desejos, paixões e romances se desmancham, e num processo lento e talvez um pouco doloroso as coisas seguem, de uma maneira melhor ou nem tanto. A respiração de quem um dia foi sua alma interior, vira indiferença aos sonhos de quem se desmanchou e cinzas virou. Uns chamam de acaso, dor, destino ou sobrevivência, ou só a lei da vida. Gosta, trás pra dentro do peito, uma brisa congelante bate e tudo cristaliza, passa por cima, diz que a ama, empurra mais pra dentro do peito, o tempo passa e as coisas se modificam, vão escorrendo e saem do seu peito, dói. E o ciclo começa de novo, até que passa a se acostumar a pegar o que escorre e empurrar pra dentro do peito e parar de se importar se desmancha ou se fixa, e quando menos perceber, ele vai virar pedra e nunca mais vai sair do seu peito, é assim que eu especifico o amor, uma geleia que escorre e quanto mais você se importa, mais ela sai do seu peito.

domingo, 30 de outubro de 2011

Algumas palavras clichês


Quando eu achei que minha terra firme ia desabar a qualquer segundo, igual aos desenhos animados, eu sai segurando no braço de cada um, é mais ou menos perto do ombro, e de algumas pessoas tinha um certo óleo onde minha mão ia escorregando, escorregando até soltar, uns ainda tentaram me resgatar, seguraram pelo mindinho, tentaram puxar pelo pé, outros deixam escorregar e de vezenquando procuram saber se estou viva.
Vocês dois, particularmente, com a outra mão livre, me seguraram não deixarando que o óleo me fizesse cair. Foram minhas pernas, meus braços, meu cérebro, quando recentemente mais precisei. Tenho certeza que se não fosse pela amizade, companheirismo, ouvido, amor e paciência dos dois em especial, a minha vida hoje, não estaria como está. Fraternidade é mais que tipo sanguíneo, isso eu tive certeza, a lealdade de vocês dois é algo extraordinariamente admirável. Se há pessoas nessa minha estrada que eu quero tempo integral comigo, já sabem ?
Me fogem palavras ao tentar agradecer por tudo o que fizeram, fazem e tenho certeza que estariam dispostos a fazer pra ver não só a minha, como a felicidade de todos os que amam. Difícil falar sem repetir as palavras tão clichês de hoje, mas entendam o quão importantes são. Me liguem a hora que for, pro que for, entre falar de amor, chorar de dor até somente ter uma companhia pra ver o sol nascer, porque tens liberdade pra isso, assim como me deram a mesma. E posso encerrar dizendo uma coisa bem Luana? Eu amo vocês pra caralho.

Winnie Ketlen e Jefferson (com dois ff) Santos

quarta-feira, 5 de outubro de 2011


É bom olhar a janela e ver gotículas da chuva escorrendo, formando linhas de água, de repente surde a vontade de pular, correr, atravessar o vidro, entrar na gotícula e escorrer até parar na sua janela, aquela com cortinha roxa decorada com borboletas. Permanecer lá, sem secar, te observando e cuidando de todos os teus passos, viver intacta ali, só pelo simples fato de estar perto de quem tem aquele cheiro que ficou impregnado nos meus travesseiros desde a última vez que entrou pela porta da minha casa. Estranhamente gostar da ideia de me transformar em água pra me agarrar à um vidro, estranhamente gostar da ideia gostosa de te querer todos os dias sem hesitar em demonstrar calor, assim como a lua não hesita em demostrar tua natural beleza. Ponte de nós duas, brilho elegante de todas as noite, gotas de transformações, eu te quero dia após dia, lua após lua, eu após você.