sábado, 27 de outubro de 2012

O que isso rendeu

"É sobre essa vontade de te beijar a boca
Te arranhar a nuca
Te rasgar a roupa...
E dessa vontade sou feita
Me lambuso da cabeça aos pés de desejos carnais
Ao imaginar teu olhar assanhado minha pupila dilata
E de vontade do meu corpo quente na tua pele fria
E desejo da tua boca na minha
Que de tão longe já arrepia."

Nasci. 26 de outubro de 2012

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O outro lado.

No formato da vida, na forma da displicência, no pavor da elegância, do charme do dia-a-dia, no caráter do olho a olho, no visor da nostalgia, na dor da saudade, no luxo da inteligência e no lixo da ignorância, seja lá onde for, é possível aprender e tirar uma lição, uma correção de cotidiano. O formato da vida anda bem diversificado, no mundo de hoje: escolha quem quiser ser e dê sua cara a tapa, seja quem quiser ser, quem quiser ser, seja você quem quiser. Mude sua forma de agir se ela não te agrada, os outros aprenderam a conviver, displicência, assuma! Coloque uma sandália, um short de algodão e saia na rua, se essa é a sua elegância, seja elegante, coma de colher, beba tudo de uma vez, mantenha a educação, porém seja elegante. Coloque um perfume ousado, dê seu toque final no cotidiano, não deixe ser vencida pela rotina cansativa do dia-a-dia, dê seu charme. Mostre quem você é no brilho do olhar, não deixe ser ofuscada por qualquer pedra que bata no vidro, mostre seu caráter no brilho do olho. Aprenda a ter outra visão de tudo, enxergue a nostalgia como uma biblioteca de boas memórias, veja por outro visor. A dor te ensina a dar valor a quem lhe faz falta, aprenda a sorrir até quando não for preciso, a encantar com um quase sorriso ou uma gargalhada gostosa, a dor da saudade faz dar-te valor. Der-se ao luxo de crescer intelectualmente, leia a placa, o livro, o texto, o título, procure informação, ela não ocupa espaço algum, seja luxuoso e carregue a inteligência. Jogue fora o lixo do desprezo, a falta de conhecimento e língua solta não combinam, aprenda a descartar o ruim e amar o bom, ignorância é bom pra não existir. Ache o lado bom da moeda, a vida sorrindo é mais prazerosa.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Inquietude.


Aquele breve, ou não tão breve momento de inquietude.
Eu aprendi a ser a vida de alguém e fazer o outro ser a minha vida, e com isso me tornei parte do que não vive em mim, e sim no outro. Aprendi e aprendo até hoje a cuidar de todos os detalhes que existem na minha vida, que não sou mais eu, a regar todos os dias as flores de um jardim que não respira meu ar, com isso aprendi que é essencial ouvir e saber o que dizer quando as coisas não vão bem porque acalma e conforta a alma de quem não anda nos melhores sorrisos.
Hoje, eu coloco em prática, ouço e digo, vejo e brigo, quero e tento conseguir a todo custo, mas esse custo tá me dando trabalho dessa vez, não imaginei que seria assim.
Hoje, eu cuido e dou carinho, rego todas as plantas do jardim e tento ao meu máximo deixa-las floridas, coloridas e vivas... Eu tento te dizer todas as noites que isso tá prestes a acabar, talvez não adiante muito como percebemos na noite de hoje, todas as palavras já se repetiram ontem e hoje, hoje elas não tem mais força nem efeito. Desculpe-me as rosas, aos cuidados desleixados e aos sorrisos perdidos, mas acho que me perdi nesse vendaval de águas, e junto com as suas lágrimas se foram todas as minhas palavras, hoje só tenho meu ouvido e flores sem cores a te oferecer.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Não existe nada mais doloroso do que ver a dor no coração do amor e não poder toma-la pra si pra salvar quem a sente.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Véspera da véspera de natal. Hoje era dia de chegar em casa com o porta-malas carregado de sacolas, me chamar pra ajudar a carregar porque sempre foi assim, deixar todas as compras no meio da cozinha e ouvir a vó reclamando que comprou coisa demais, e mais tarde, lá vinha a leitoa de praxe. Mesmo que depois do natal, metade dela ainda ficasse intacta, a leitoa de tradição jamais faltara a mesa. E hoje, não chegou nenhum carro carregado, nem compras demais, nem vó reclamando. Pelo segundo ano a gente segue sem você, se natal já não era muito bom, agora então... Falta você, no grande natal em família, que sempre acabava em alguma confusão, faltam suas risadas, as mesmas piadas, falta você vô, falta você.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Carta 03

Já parou pra pensar no quanto as pessoas pensam? No lugar que estou agora, o tanto de pessoas que devem estar pensando em coisas completamente distintas... E no tanto de vidas que existem além das nossas, gente procurando vaga pra estacionar seus carros, gente esperando por outras, outros comendo, bebendo, comendo e bebendo, somente passando o tempo, engolindo a comida por estar atrasado, pensando em como resolver tal assunto, nos filhos, no relacionamento, nos afazeres, nos outros, na demora, em sexo, no clima frio, no fim do ano, na mãe, nas compras, no banco, prestando atenção no que a outra fala, em alguma história, em como conquista-la, em como conquista-lo, na novela, no noticiário, no cabelo, no cigarro, na música, em sonhos, em nada... São bilhões de pensamentos em um só lugar.

23.11.11

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Geleia

Assim como o gelo no fogo, o quente na brisa e a lágrima que cai, os sonhos, desejos, paixões e romances se desmancham, e num processo lento e talvez um pouco doloroso as coisas seguem, de uma maneira melhor ou nem tanto. A respiração de quem um dia foi sua alma interior, vira indiferença aos sonhos de quem se desmanchou e cinzas virou. Uns chamam de acaso, dor, destino ou sobrevivência, ou só a lei da vida. Gosta, trás pra dentro do peito, uma brisa congelante bate e tudo cristaliza, passa por cima, diz que a ama, empurra mais pra dentro do peito, o tempo passa e as coisas se modificam, vão escorrendo e saem do seu peito, dói. E o ciclo começa de novo, até que passa a se acostumar a pegar o que escorre e empurrar pra dentro do peito e parar de se importar se desmancha ou se fixa, e quando menos perceber, ele vai virar pedra e nunca mais vai sair do seu peito, é assim que eu especifico o amor, uma geleia que escorre e quanto mais você se importa, mais ela sai do seu peito.